segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Texto em duas maos...


Não entendi bem aquele convite de ultima hora, meio sem nexo, deixava margem a dúvidas. Nunca fui de incertas, mas desta vez decidi me arriscar, e lá estava eu parado em frente aquela porta entreaberta, olhando fixamente para o lenço, que amarrado ao trinco da porta, delicadamente envolvia uma folha de papel em formato de pergaminho. Pensei no que teria me trazido até ali.
Peguei o lenço e cuidadosamente desenrolei a folha que exalava levemente o perfume de lavanda, já havia sentido aquele perfume antes, só não me lembrava bem onde e nem quando. O bilhete era como uma instrução, coisa estranha, me pedia que acendesse as velas e servisse o vinho. Fiquei ali olhando para a porta e pensando se entrava ou se ia embora.
Inspirei fundo e delicadamente abri a porta, o ambiente estava na penumbra e havia no ar o mesmo perfume de lavanda, a minha frente uma janela iluminava sutilmente o ambiente, dei alguns passos e pude notar outra claridade que vinha do final do corredor ao meu lado, outra porta entreaberta, por ela saía um leve vapor de banho, deduzi que ela estava lá.
Silêncio, era capaz de ouvir o barulho do meu próprio coração batendo dentro do peito misturado aquele som que vinha do chuveiro, fiquei alguns instantes olhando para aquela porta ainda sem entender. Sobre a mesa estavam os castiçais, com velas brancas e longas, um vinho e duas preciosas taças, todos perfeitamente colocados sobre a mesa. Lembrei-me então do bilhete com as instruções.
Novamente olhei para a mesa e pude perceber o saca-rolha e a caixa de fósforos. Cuidadosamente acendi as velas, cujas chamas iluminaram e deram cor ao ambiente, então pude notar os quadros, as almofadas postas sobre os sofás e um violão aparentemente esquecido em um dos cantos do tapete. Abri o vinho e me servi, seu aroma e cor forte despertaram a minha imaginação, senti um arrepio na espinha quando o saboreei, estava no ponto certo, suave e deliciosamente marcante.
Completei as taças e me sentei, fiquei olhando os objetos dispostos na sala, as flores próximas a janela e pude notar que sobre o violão havia outro pergaminho, também delicadamente envolvido em um lenço.
Aproximei-me e o peguei nas mãos, novamente um pedido, ele claramente dizia: - Toque para mim. Por favor. Fiquei pensando onde ela queria chegar com tudo aquilo.
Peguei o violão nas mãos, foi quando ouvi o chuveiro ser desligado. Escutei seus movimentos, abre e fecha de portas e gavetas, depois o barulho de cabelos sendo escovados. Passei os dedos pelas cordas do violão, há muito ninguém tocava ali, estavam frouxas e desafinadas. Aos poucos fui acertando uma a uma, o som ia surgindo pela sala, fiquei pensando no que tocar para ela, o que ela queria ouvir afinal? Bilhetes, velas, vinho, perfume, isso estava me deixando deliciosamente excitado, podia sentir o calor tomando conta do meu corpo.
Meus pensamentos foram quebrados pelo delicado som de um sininho que vinha se aproximando pelo corredor, foi quando a vi, vestia um vestido preto, não muito longo, discreto, tinha os pés descalços que revelavam a tornozeleira de onde pendia um minúsculo guizo, o que justificou o som que ouvi enquanto ela se aproximava.
Até então ela não disse uma palavra, simplesmente se aproximou com um sorriso nos lábios. Eu me levantei e a abracei carinhosamente, também não consegui dizer nada, minhas mãos tocaram seus cabelos ainda úmidos e pude sentir a maciez da pele nua de suas costas, o perfume de lavanda ficou mais presente, mais marcante, fazendo com que o desejo me aflorasse à pele.
Foi quando então ela suavemente se virou, levantou os cabelos e me pediu que lhe fechasse o zíper do vestido. Meu olhar automaticamente se fixou na fresta que o vestido não cobria, observei suas costas nuas e sua delicada tatuagem, neste momento então pude notar que aquele era o único adorno que tinha em seu corpo por baixo do vestido. .......
30/07/2009 – 00:33

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